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Alimentação na gravidez

Alimentação na gravidez

Um novo tipo de transtorno alimentar está assustando os especialistas. A pregorexia, uma variante da anorexia, acomete mulheres grávidas que, com medo de ganhar peso durante a gestação, se alimentam de forma insuficiente e usam estratégias para emagrecer como o uso de laxantes e prática excessiva de atividade física.

 

Para a nutróloga Maria Del Rosário, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), diminuir radicalmente as calorias da dieta com o objetivo de controlar o peso pode prejudicar, e muito, a saúde da mãe e do bebê. Ela afirma que a pregorexia é um comportamento de alto risco e cada vez mais comum em mulheres grávidas.

 

O termo pregorexia deriva da mistura das palavras pregnancy, que significa gravidez em inglês, e orexia, de orexis, que significa apetite, explica a médica. Segundo ela, não existe uma tradução específica para o português – a maior aproximação seria o termo \"gravidorexia\".

 

Para a especialista, a valorização cultural da magreza e a pressão exercida pela sociedade, com imagens de mulheres grávidas magérrimas – geralmente famosas que aparecem na mídia –, contribuem para o início dos quadros de pregorexia. Fatores genéticos, biológicos, psicológicos e familiares também podem contribuir para o desenvolvimento de transtorno alimentar mais grave, como anorexia ou bulimia nervosa.

 

O transtorno costuma aparecer em mulheres jovens que já apresentavam outros transtornos antes de engravidarem e o medo, na pregorexia, fica ainda mais intenso porque o ganho de peso, pelo menos em condições normais, é constante. O ganho de peso excessivo é prejudicial, mas fazer dieta pode por em risco uma gestação saudável e sem complicações, salienta a médica.

 

Entre as complicações possíveis ocasionadas pela falta de nutrientes está o aumento da incidência de nascimentos prematuros e crescimento fetal restrito. Há também um risco maior de mortalidade materna. As grávidas que já tiveram transtorno alimentar podem ter outros problemas graves, como complicações cardiovasculares, digestivas, endócrinas, hematológicas e ósseas.

 

O baixo ganho de peso e o desenvolvimento lento do feto podem servir de indícios de que o comportamento da grávida está anormal. Outros indícios são os sinais comuns da bulimia e anorexia (ir ao banheiro depois das refeições, uso de laxantes, excesso de exercícios físicos e preocupação exagerada com o peso).

 

Segundo Rosário, quanto antes for diagnosticado o quadro, maiores as chances de recuperação. Ela destaca que a avaliação e o tratamento, com o diagnóstico das deficiências de nutrientes, vitaminas e minerais, são fundamentais para adequar o ganho de peso durante a gravidez, de acordo com as características de cada grávida. É importante lembrar que as dietas da moda e os planos de exercícios físicos exagerados durante a gravidez e sem acompanhamento médico adequado podem causar consequências graves à saúde, completa.

 

Peso:

 

A funcionária pública Luciana Macedo, de 33 anos, está atenta a essa questão. Prestes a pegar no colo o filho que vai nascer no fim do mês, ela controlou o ganho excessivo de peso, mas não deixou de se alimentar de forma correta. \"A gente não pode fazer dieta, mas evito ficar comendo muito doce e massas. Além de refeições mais saudáveis e balanceadas, estou fazendo suplementação de vitamina\", comenta.

 

Preocupada com o bem-estar, ela também não parou de fazer atividade física, apenas trocou de modalidade. Há dois meses, pratica hidroginástica e assegura que o exercício proporciona tranquilidade e condicionamento.

 

Alimentação:

 

Durante a gravidez, o corpo diminui a produção de colágeno. Entretanto, se a gestante tem uma alimentação saudável e faz atividade física, a musculatura se fortalece.

 

Folhas verdes, feijão, grão-de-bico, brócolis, espinafre, cenoura, laranja e banana não devem faltar no prato da grávida. Esses alimentos contêm ácido fólico, que previne anomalias cardíacas e diminui as chances de malformação no cérebro do bebê. Para as mães, o ácido fólico ajuda a evitar a anemia e infecções durante a gravidez.

 

O uso do aspartame na gestação é discutido por causa de sua exposição fetal ao ácido aspártico, fenialanina e metanol, podendo prejudicar o crescimento, peso ou causar distúrbios neurológicos no feto. 
De forma geral, não é recomendado o uso excessivo/abusivo de adoçantes, por isso utilize-os somente quando realmente for necessário, ou então prefira o açúcar light.

 

Evite dietas para emagrecer, carnes cruas ou malpassadas, que podem transmitir toxoplasmose. 
A obesidade depois da gravidez é um problema muito sério. Cerca de 45% das mulheres obesas no mundo inteiro ganharam peso extra após a gravidez. Essa é uma porcentagem bastante alarmante e mostra o quanto é importante prevenir o ganho de peso nesta época da vida da mulher.

 

O ganho ideal de peso na gravidez varia de mulher para mulher, mas deve ficar entre 8kg e 13 kg. O peso ganho inclui o do bebê, da placenta, dos líquidos retidos e, principalmente, dos nutrientes acumulados para uso durante a amamentação. As mulheres devem perder cerca de metade do peso ganho em até seis meses após o parto, e o total do peso ganho deve ser perdido em até dois anos.

 

A amamentação é a grande fonte de perda de peso para a grávida. A mulher que amamenta perde de 400 a 500 calorias por dia, o que equivale à quantidade de calorias perdidas em mais de uma hora de exercícios aeróbicos.

 


Saiba Mais:

 

Quanto deve engordar uma mulher grávida, segundo a Associação Brasileira de Nutrologia, conforme o peso antes da gravidez?

 

Baixo peso: Entre 12,5kg e 18kg

 

Peso adequado: Entre 11,5kg e 16kg

 

Sobrepeso: Entre 7 kg e 11,5kg

 

Obesidade: 7kg

 

Fonte: Estado de Minas – MG

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